COLUNA | INFLAÇÃO E JUROS BAIXOS GARANTEM AVANÇO DOS INVESTIMENTOS EM FUNDOS IMOBILIÁRIOS

Investidores têm corrido atrás de aplicações que garantam retornos mais robustos e o segmento dedicado ao mundo dos imóveis tem se beneficiado desse movimento

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A perspectiva de inflação sob controle e taxa de juros baixas por um período razoável de tempo tem feito a alegria da turma dos fundos imobiliários.

Para garantir rendimentos mais robustos, muitos investidores — tanto profissionais quanto aqueles que conseguem salvar um pouco no fim do mês — têm fugido das aplicações tradicionais e buscado outros caminhos para seu dinheiro.

Neste cenário, os investimentos de renda variável, com os fundos imobiliários, acabam atraindo um número cada vez maior de interessados.

Para ter uma ideia da evolução desse mercado, de janeiro a agosto deste ano, o número de fundos imobiliários registrados no país atingiu 452, com um patrimônio líquido de R$ 111,1 bilhões. No ano passado, a indústria tinha 409 fundos, com patrimônio de R$ 90,4 bilhões.

“O mercado imobiliário é o que tende a melhor se beneficiar desse cenário macroeconômico. É o setor que mais deve se beneficiar de um ciclo futuro de crescimento, diante dessa situação inédita de inflação muita baixa com taxa básica de juros muito baixa”, afirmou Vitor Bidetti, sócio fundador da Brazilian Real Estate Investiments (BREI), gestora especializada na estruturação e gestão de fundos e outros produtos financeiros de base imobiliária.

Além do avanço no número de fundos, o mercado registrou uma escalada de interessados em colocar parte de seus recursos nesse tipo de investimento. De acordo com os dados da Bolsa (B3), o número de investidores que aplicam recursos em fundos imobiliários superou a marca de 431 mil pessoas em agosto. Num intervalo de apenas 30 dias, entre julho e o mês passado, o aumento foi de 10,41%.

Esse movimento é reflexo direto da queda da taxa básica de juros (Selic) que acaba contribuindo para um aumento da rentabilidade das cotas dos fundos de investimento. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic para 5,5% ao ano e deu indicativos que esse ainda não é o piso.

Na avaliação de Bidetti, que tem R$ 7,9 bilhões sob gestão distribuídos em 24 fundos e acredita que esse valor pode atingir a marca de R$ 15 bilhões num curto espaço de tempo, além do setor imobiliário, o segmento de infraestrutura também deve se beneficiar dessa nova realidade de juros e inflação no país.

“Essa situação inédita de taxas de juros neste nível cria as condições econômicas para um cenário de ciclo positivo de quatro, cinco anos, que deve impulsionar segmentos que dependem, essencialmente, dessas condições macroeconômicas e ciclo previsível, que são imobiliário e infraestrutura. São dois segmentos que impactam muito o PIB”, salientou o especialista.

ÉPOCA – São Paulo, Brasil